sabedoria também é a necessidade de aquietar as perguntas
Reclamo da velocidade do nosso tempo, mas reclamo de ansiosa, pois a realidade é a corrida. Estar na Terra é correr subjugado à condição desse giratório dos astros. A ansiedade é doença, compatível com a situação de que, se são dias, irão sobrepor-se, ditadores, às noites. Assim, o ansioso é quem tem um coração na compreensão de que o apressar-se acompanha o catavento vital. Esse acompanhar é sofrido.
E correr atrás da constante mutação é que nos colocará em paz. Aceito a corrida do coelho de Alice, portanto. Em sintonia conosco no ritmo de que um minuto a mais é o ponto que nos aproxima do final.
Acompanhar o tempo significa, inclusive, ter de, forçosamente, evoluir na compreensão de todas as coisas e todos os fatos. Alçar sempre.
Mas a sabedoria precisa assimilar que nem tudo dentro de nós nos trará a chave, tantas percepções sem rumo, sem hora de pouso; e sabedoria será a necessidade de aquietar as perguntas que, grudadas umas às outras, querem resposta. E continuar correndo e perguntando apesar de tudo.
Aliás me indago: quantas respostas consegui até hoje para este espanto de estar vivo em meio a fatos interiores - eu que sem parar mudo de alma , quero saber por quê. E quanto consegui apascentar o desespero de indagar?
Tenho quase respostas. Não para o que percebi na mutação deletéria da instituição familiar. Sabedoria, portanto, é abrir janelas mentais e permitir fugir dum passado; e rumar para outros olhares. Porque, se se nasce na família e, se é dela a base do entendimento, é preciso abandonar essa base e costurar outras cortinas, de tecido sedoso por onde barrar sóis incendiários.
Comentários
Postar um comentário